Coisas que aprendi na Igreja - Parte VIII

Não custa repetir que essa série tem o objetivo de reciclarmos nossas atitudes.

Eu estava no Exército. Semanalmente se realizavam cultos dentro do quartel, às quartas-feiras. Para quebrar a monotonia, os responsáveis pelo culto costumam convidar pregadores de fora para trazerem a Palavra. E também por muitas vezes os soldados estarem "mordidos" com um determinado superior e acabarem transferindo essa gana para o momento do culto e deixarem de receber a mensagem por causa do porta-voz dela.

Eu tinha acesso a muitos pregadores, pastores, líderes. E os convidei para colaborarem conosco. Era pra ser um compromisso de estar ali pelo menos uma vez por mês. Convidei nove ou dez ministros. Quatro foram pregar lá. Dois mantiveram o compromisso por três meses. Um só permaneceu até o final daquele ano e esporadicamente, continua indo lá até hoje.

Claro que outros foram convidados por outras pessoas, e o culto prosseguiu acontecendo, com a graça de Deus, cada vez melhor. O que quero destacar é que na hora em que eram convidados, os pregadores se enchiam de orgulho, ficavam lisonjeados, espalhavam a notícia, me elogiavam por eu estar desejoso de evangelizar no quartel. Quando era pra pegar no pesado e atender a enorme demanda de aconselhamento e discipulado, eles vazaram. Questionados sobre o motivo da descontinuidade das visitas, a resposta foi unânime: "Não temos estrutura para acompanhar esse trabalho aqui."

Pelo menos disseram a verdade. Não tinham estrutura mesmo. E a maioria ainda não tem uma boa estrutura de discipulado. Mas não pense que é por falta de dinheiro, espaço, mão de obra, ou qualquer outro recurso. O que falta é disposição. As igrejas e seus presidentes estão iguais aos nossos estimados membros do Senado Federal. Tem tudo na mão, mas não trabalham porque estão ocupados demais com o controle remoto do ar-condicionado.

Hoje, os próprios militares estão se tornando ministros e procurando igrejas que tenham visão de discipulado. A Capelania Militar não dá conta de toda a demanda espiritual dos quartéis. E a igreja não está muito ligada nessa parcela da população que é treinada para a guerra. Se não agimos onde podemos, Deus não vai nos dar o campo que desejamos. Não adianta se estrebuchar em vigílias e conferências proféticas pedindo que Deus nos dê esse e aquele lugar; se onde Ele tem mostrado que o campo está maduro, as espigas apodrecem e morrem.

Temos que fazer um pouco melhor nosso dever de casa, ou corremos o risco de sermos picados por uma serpente que nós mesmos deixamos crescer ao nosso redor.

Quem lê, entenda.

Juliano Leal - MRM/MARP

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