Coisas que aprendi na igreja - Parte XV

Do chão não passa!
Esta é uma história antiga. Não tente adivinhar o cenário. Não ocorreu em nenhuma igreja que eu tenha frequentado. Mas, infelizmente, esta é uma situação que ainda ocorre em nossos templos.

Lembro de ter ido a uma grande igreja com minha mãe. Minhas tias e meus primos também iriam, o que fez parecer que ia ser muito legal. Ahhh, acho que eu tinha uns 8 anos quando isto aconteceu. Lembro que meu irmão era pequeno. Realmente, nos encontramos todos lá. A igreja era muito grande e tinha muita gente. Lembro que o culto ficou muito chato para nós, crianças. Encontramos outras crianças da mesma idade e começamos a correr e brincar, a igreja tinha um pátio grande e depois que terminava os bancos ainda havia muito espaço.
Estávamos correndo feito loucos alucinados (rsrs), quando um de nós percebeu que a "brincadeira" dos adultos parecia ser mais divertida: estavam em uma fila enorme e quando chegavam lá na frente, eles caiam e alguém segurava eles. Parecia ser muito legal mesmo!
Fomos todos para a fila imaginando o que deveria acontecer pra a gente cair. Lembro que minha prima (uma ano mais nova) estava perto de mim. E como ela não ia muito à igreja, ficava me perguntando: "O que é que a gente tem que fazer?". "Não sei", repondi, "nunca vi isto antes...". Realmente, na igreja onde constumava ir, isto não acontecia. Enquanto caminhávamos na fila, ouvíamos adultados falando: "Olha, que bonitinhos, na fila do apelo..." e coisas do tipo. Bom, até podíamos estar na fila do apelo, só não sabíamos apelo do quê!
Depois de um bom tempo, finalmente chegamos lá na frente. Lá na frente, tinha um monte de caras de terno. Ficamos lado a lado. Eles colocavam a mão na cabeça da gente - até aí, era normal pra mim. E falavam coisas que não entendíamos - muito estranho pra mim, e mais ainda para os meus primos. Mas estávamos lá, de olhos bem fechados, esperando a hora que a gente ia cair e alguém ia segurar a gente.
Depois de algum tempo, ouvi minha prima sussurando: "Ali, quando a gente vai cair?". Abri um pouco meus olhos pra ver o que estava acontecendo na volta. Os adultos que chegaram lá na frente junto com a gente já estavam no chão! Uns pareciam que dormiam, outros choravam. Lembro que respondi para minha prima: "Acho que já passou da hora de cair. Acho que temos que nos jogar... Os outros já estão no chão!" . Falávamos baixinho pra não nos ouvirem e descobrirem que a gente não sabia as regras do jogo. Mas eles mesmos falavam tão alto que penso que não era necessário sussurarmos.
O fato é que depois desta conversa nós nos jogamos. Na cara dura, nos jogamos para trás! Nos seguraram. Ficamos deitadas no chão. Até que minha prima me perguntou novamente o que fazer. Mais uma vez espiei pra ver o que estava acontecendo. Os que cairam (ou se jogaram, não sei) junto com a gente ainda estavam no chão. De tempos em tempos, espiava pra ver o que faziam. Quando percebi que alguns se levantavam, dei o sinal para ela e nos levantamos também.
Fomos conversar com as outras crianças pra saber como tinha sido com elas. Resultado: Todas tinham se jogado!!! Sem exceção!!! todas as crianças se jogaram e ficaram espiando pra saber quando se levantar!
Voltamos a correr. Não valia a pena entrar na fila de novo (coisa que muitos adultos fizeram) só pra se  jogar.
Depois do culto, nossas mães queriam saber o que estávamos fazendo na fila...
Sim, elas sabiam que era brincadeira de criança!
P.S.: Eu creio que a glória de Deus pode estar de forma tão forte (para nós) que faça com que a gente caia. Creio que pode acontecer de alguém orar por mim e eu cair (o que já aconteceu); porém, o objetivo não era cair. Mas entrar em uma fila pra cair... É coisa de criança, de imaturo. E cair pra quê? Pra levantar igual?

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