#crentetomavergonha - Parte I


São tempos difíceis, não há como negar. Nosso mundo nunca viu tamanha ameaça. Mas nós do BRP, sempre servindo ao Corpo do Messias, continuaremos defendendo a Ética nas igrejas e repelindo o Movimento Prosperista que insiste em aprisionar as mentes, ferir os corações e saquear os bolsos. Nessa nova série, traremos testemunhos de pessoas que se sentem atraídas pela Palavra mas repelidas pelo comportamento dos cristãos, que olham de fora uma igreja hipócrita e presunçosa, que os enchem de rótulos, mas são piores que eles no seu comportamento "crente".

Nosso objetivo nessa série é seguir na linha do Coisas que aprendi na Igreja, mas aquele, segue na sua perspectiva de revelar o sofrimento de quem está dentro e não consegue se firmar ou vê os pequeninos sendo devorados pelos lobos em pele de ovelha. Nessa, mostraremos o feio retrato que os ditos crentes tem pintado aos olhos de quem está fora da igreja. Se é que sobra algum retrato depois de tanto filme queimado.

Em tempos de explosão das redes sociais, um título em hashtag que tem tudo pra virar um grito em nome de uma igreja honesta. Não queremos perfeição, só caráter e integridade. Sabemos que todos erram. Não podemos querer ir além da Palavra que diz que "todos pecaram e foram destituídos da Glória do Senhor".

Você vai ler relatos reais nessa coluna. Algumas pessoas inclusive não se importam de terem seus nomes divulgados. Querem fazer diferença. E pelo incrível que pareça, uma até me disse que "Jesus ajudaria aqueles que o amam e eu quero fazer o mesmo!"

Pra nossa tristeza, o mal exemplo vem de cima, dos líderes das igrejas. Sei que muitos vão aparecer e dizer que aqui e ali não é assim. Que se uma dessas pessoas viesse pra nossa igreja seria bem tratada. Saiba que concordamos com você. Apenas perguntamos, porque ainda não foi?

Queremos ser inclusive um elo que possa levar as pessoas certas, para os lugares certos, onde possam fazer a coisa certa, na hora certa. Para glorificarem ao Senhor e serem felizes por estarem com Ele, sabendo que o resto é consequência, e não motivo.

Nos últimos meses, tenho conversado seguidamente com pessoas que a gíria gospel apelidou de Cornélios, devido ao comportamento semelhante ao romano de mesmo nome mencionado em Atos 10, que tinha uma postura agradável ao Senhor antes mesmo de ouvir o Evangelho.

O detalhe é que eles sentem misericórdia (pra não dizer pena) dos crentes. Se perguntam constantemente porque que pessoas que leem tanto a Bíblia (leem?)são tão incautas ao ponto de acreditarem nas coisas mais bizarras.

Porque os crentes são tão chatos na hora de compartilhar aquilo que eles chamam de "boas novas"?

Porque os crentes sempre tem razão? Porque eles nunca dão o braço a torcer, porque fazem questão de se colocar acima dos demais num estatus de salvo, redimido, justificado, perdoado e escolhido, humilhando o não-crente, ao invés de fazê-lo desejar igual condição?

Se o objetivo do crente é construir com o outro um relacionamento pautado na Palavra, levando-o a salvação e a conversão, porque insiste em usar rótulos como ímpio, infiel, descrente, mundano, perdido, ou seja, o "Ó do Borogodó"?

Mesmo que o comportamento dos não-crentes se encaixe com as definições que o dicionário oferece concernente à esses termos, se a conotação na esfera dos relacionamentos é pejorativa, um cristão não deveria usá-las! De modo genérico sim, pois até a Bíblia usa, mas diretamente a um indivíduo, pode e provavelmente se tornará ofensivo.

E não vamos mostrar Jesus pra ninguém através de um comportamento ofensivo.

Sempre que escrevo pro BRP fico com minha mente fervendo pois ao mesmo tempo que quero ser contundente também quero ser ético. E isso é bem difícil. Mas seguidamente me lembro de um comercial da minha infância que dizia que "existiam mil maneiras de se preparar" o produto, e arrematava com "invente uma".

Trazendo pra nossa situação, é isso que os "cornélios" estão dizendo. Invente uma nova maneira de comunicar o evangelho. Uma que respeite. Que funcione. Que ilumine. Que acolha. Que cure. Que restaure. Que seja bálsamo nas feridas. Que ame.

Já agendei a entrevista com a primeira pessoa. Um ateu.

E vamos lá! Seguindo na missão de ser pimenta nos olhos de quem faz de conta que é sal.

Juliano G. Leal - MRM/MARP

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