Status do relacionamento: Misericórdia...

Nos últimos anos a nossa vida foi invadida pelos dispositivos tecnológicos. E essa invasão mal começou. A influência dos gadgets e suas consequências já são percebidas por todos os lados. Algumas, bem negativas.

A febre das redes sociais piorou muito depois que a internet ficou portátil. As pessoas não precisam mais de um computador grudado num canto pra acessar sua vida paralela. Agora ela está disponível on-board, 24/7. E assim, as pessoas começaram a alterar seu comportamento no mundo real, fazendo com que fique cada vez mais semelhante ao virtual, fazendo o oposto do proposto pelas redes sociais que era justamente, publicar na web o que fosse fiel ao real, para estender a experiência...

Uma das coisas mais alarmantes hoje é o tal "status do relacionamento". Mas antes de me deter nele, vamos observar alguns perfis de comportamento, que tornam a situação ainda mais bizarra.


Antigamente para começar a gostar de alguém a gente precisava conhecer esse alguém. Hoje, as pessoas pesquisam o perfil, coletam informações, jogam verde, dão indiretas, sem se comprometer com praticamente nada. Assim, nasceram alguns tipos peculiares como:

Pescador de Ilusões: vasculha perfis que possam se transformar em possíveis relacionamentos.

Ilusionista: cria uma imagem que atraia pessoas para seu perfil.

Pessimista: pragueja na rede a sua má sorte no amor, para tentar conquistar alguém que sinta pena dele.

Conquistador: narra seus "sucessos" na busca de admiradores.

Autoconfiante: não para de fazer elogios a si mesmo, às vezes intercalando com piadas para não parecer convencido. 

Fatalista: implora por atenção e por carinho pois tudo ao seu redor está por um fio, a humanidade está se extinguindo, o tempo está acabando, precisamos agir...

Otimista: ele vai ser perfeito e realizar todos os seus sonhos. (SQN...)

Fanfarrão: debocha de tudo, na esperança de atrair seus iguais.

Difícil: também conhecidos como "fazidos".

Desafiador: provoca e às vezes perturba, só pra puxar assunto.

Meigo: artificialmente doce...

Santo: parece que caiu do céu...

E tem muitos mais, apenas ilustrei os tipos mais comuns. E isso vale para eles e para elas. A rede tá lotada desses e de outros. É claro que essas figuras também aparecem fora da web, mas esses comportamentos quando virtuais, trazem alguns desdobramentos catastróficos.

O exemplo mais comum é o da pessoa que não corresponde à imagem virtual. Mas também temos os casos das pessoas que não sabem ter um relacionamento fora do virtual. Na internet chovem declarações de amor. Já ao vivo, não tem assunto, não tem carinho, não tem afinidade, não tem nada. Um iceberg demonstrou mais atitude rasgando o Titanic, do que eles...

Outros, assumem um relacionamento para orgulhosamente ostentar uma mera atualização que publicará para seus contatos (concorrentes?) que "derp está em um relacionamento sério com derpina". E só. Me faz crer que alguns devem até ter um contrato de uso da imagem. Aliás, já existem sites que alugam pessoas por tempo pré determinado só pra preencher o status.

Tem casos inclusive, onde o amor transborda para todos os lados. Quando você vê os dois é puro love. E a gente começa a acreditar que o lance de relacionamento sério é sério mesmo. Aí, no dia seguinte, as pessoas tão de love de novo, só que com outras pessoas! Mas o status segue firme e forte lá no perfil...

Dá dó de ver os casos em que as fotos mostram mais o que um dos dois conseguiu com a relação (casa linda em Gringo Beach, auto-hepatite-móvel da hora, roupinha cara presenteada no dia dos namorados), do que momentos dignos de recordação mútua.

Tem ainda os que ficam fazendo piada de si mesmos, postando fotos de "forever alone", dizendo que estão à espera de um milagre, ou que são encalhadas como baleias, ou o pseudo-santo "escolhi esperar", que muitas vezes não é escolha coisa nenhuma, é uma postagem pra galera parar de botar pressão e não encher mais o saco!

Não vou nem comentar os relacionamentos "enrolados" e "abertos". Por favor...

Vocês já devem ter sacado meu ponto. Não vou alongar nos exemplos. Uma refletida aí e você deve lembrar um monte...

Estamos presenciando um esvaziamento dos relacionamentos. A conversa de que o "ter" está tomando o lugar do "ser", já era. O "ser" já quase nem existe mais. E agora tá se tornando motivo de xingamento criticar o "ter".

Nessa drenagem progressiva dos valores emocionais autênticos, a amizade verdadeira com os benefícios corretos e limpos de antigamente, também está desaparecendo, para dar lugar à uma forma moderna de prostituição sem dinheiro, apelidada de amizade colorida.

Precisamos nos perguntar pra quê queremos ter um relacionamento. Preciso realmente disso? Se sim, estou disposta a ter um amigo antes de ter um namorado? Estou disposto a conhecer o ambiente, a família, os outros amigos dela antes de namorar? Quero conviver com essa pessoa e com todas as que vem de brinde por um bom tempo e talvez pelo resto da vida?

Será que posso dizer "eu te amo" para alguém? Será que eu sei o que isso realmente significa? Será que alguma vez eu já parei pra pensar seriamente no assunto? Será que eu já parei pra pensar sobre qualquer assunto? Será que eu sei pensar?

Vale a pena o mico de encher a rede social com juras vazias que eu vou ter um trabalhão pra apagar depois? É realmente necessário nos expormos dessa forma? É honesto, justo, puro, há louvor nisso?

E o meu relacionamento com Jesus, como vai? E pra piorar, o que eu farei se eu digo que meu relacionamento com o Senhor é bom e meu comportamento é disso ali em cima pra pior? Será que é tão problemático assim ser hipócrita? Será que é tão ruim assim ser mentiroso? Será que alguém se importa por eu ser canalha? Será que alguém pode se machucar por eu ser completamente irresponsável?

Não comece um relacionamento com alguém por nenhum motivo que não seja afinidade desenvolvida pelo tempo de convivência e decisão mútua inteligente. E não mantenha relacionamento nenhum que tenha começado por motivos levianos e inconsequentes.

Se você tem conseguido desenvolver um relacionamento saudável, real, correto, não há nada de errado em compartilhar seus bons momentos nas redes sociais.
Agora, se você tá querendo começar um rolo nos moldes de hoje, é furada. Seria melhor ficar sozinho.

Tome uma atitude na direção da santidade e pare de se preocupar com o status do relacionamento e se preocupe com o relacionamento em si. Sua sanidade e a humanidade agradecem. E o Senhor é glorificado.


Juliano G. Leal
MARP/MRM

Postagens mais visitadas deste blog

Pólvora em Chimango

Sacrifício Diário

Noé